Desde cedo, Freud insistiu que a formação do analista exige estudo permanente da teoria, ao lado da análise pessoal e da supervisão. Isso significa voltar, sempre, aos textos – não apenas aos resumos. É em casos como Dora, o Homem dos Ratos, o Pequeno Hans, que se vê nascer, frase a frase, aquilo que depois vira “conceito nos manuais”. Quando essa leitura é substituída por apostilas simplificadas, a teoria perde espessura: o Édipo vira fórmula, a transferência vira “vínculo”, o inconsciente se dilui em “mente inconsciente” genérica, indistinta de outras psicologias.