Blog do Orlando
Bem-vindo ao Blog do Orlando, um espaço singular que entrelaça a psicanálise e a reflexão profunda sobre a experiência humana. Aqui, mergulhamos em insights literários e psicanalíticos, tornando conceitos complexos acessíveis através de uma linguagem poética e narrativas clínicas que iluminam o inconsciente.
Em uma noite em Itumbiara, o roteiro parecia conhecido demais: pai amoroso, filhos sorrindo, legenda falando de amor. Thales Naves Machado, secretário de Governo do município e genro do prefeito, postava nas redes sobre os meninos, sobre família, sobre o quanto eles eram importantes. Nos bastidores, porém, havia uma crise conjugal, uma carta mencionando traição, um sujeito à beira do insuportável. Horas depois, dentro de casa, ele atira nos dois filhos: o mais velho, de 12 anos, morre; o mais novo, de 8, fica gravemente ferido; em seguida, ele se mata. O que era cenário de “família ideal” vira, num giro trágico, uma das cenas mais brutais que uma comunidade pode testemunhar
Muito antes da internet, Freud já mantinha correspondências extensas com pacientes e colegas, nas quais apareciam elementos de elaboração, associação e construção de sentido sobre o sofrimento psíquico, ainda que isso não fosse nomeado como “psicoterapia à distância”. Com o telefone, ao longo do século XX, tornou‑se relativamente comum o uso de ligações em situações de crise, continuidade de tratamento ou impossibilidade de comparecimento presencial, inaugurando uma primeira forma de “setting estendido” para além do consultório físico.
Imagine o campo de batalha silenciando. A trégua é a interrupção forçada entre a guerra e a busca pela paz. Nesses momentos de suspensão, a vida revela a eterna dança entre agir e aguardar, com lutos silenciosos pela despedida de vidas e sonhos.
A sabedoria ancestral de Eclesiastes 3 ressoa: “há tempo para todo propósito debaixo do céu” – para chorar e rir, calar e falar. Esta verdade inata mostra que algumas dores, como a trégua, exigem apenas tempo, permitindo à vida florescer mesmo na pausa.
Imagina a cena.
Clara chega ao consultório dizendo: “Eu sei que todo mundo me acha estranha. É só eu entrar num lugar que os olhares mudam”. Ela fala como se carregasse uma cicatriz enorme no rosto. Mas, aos olhos de qualquer um, não há nada ali além de um rosto comum, atravessado por angústias comuns.
Formação, supervisão e prática clínica costumam ser apresentadas como etapas separadas, mas, na experiência real, elas se enroscam como um cordão de três fios que sustenta o nascimento de um psicanalista; este texto convida a acompanhar de perto como esses fios se trançam, tendo a escrita como fio condutor desse percurso.
A supervisão de estudos de caso oferece um espaço vital onde o analista aprofunda sua escuta, aprendendo a refletir criticamente sobre sua própria percepção e a identificar pontos cegos cruciais. É um convite à transformação da experiência clínica bruta em um caso psicanalítico vivo e compreensível, revelando o fio invisível que conecta teoria e prática e impulsiona o crescimento profissional.
Retornar a Freud começa invariavelmente pela leitura de seus próprios textos. É ao mergulhar nas palavras originais que o estudante ou analista encontra os conceitos fundamentais em sua forma mais pura, testemunhando o nascimento da psicanálise e construindo uma relação autêntica com a teoria, livre de interpretações de segunda mão.
A fama de inacessível precede Lacan, mas é no coletivo que sua complexidade se desvela. A leitura em grupo não só desmistifica seu estilo denso e traduz o jargão teórico em insights clínicos tangíveis, mas também oferece múltiplas perspectivas que iluminam seus conceitos mais profundos, tornando seu pensamento acessível e verdadeiramente enriquecedor para a prática psicanalítica.
Ferenczi é a leitura que devolve pele à teoria e coração à formação do analista. Seus textos são essenciais para humanizar a clínica, abordando a vulnerabilidade do analista e a importância das dimensões emocionais e relacionais. Ler Ferenczi em grupo permite processar coletivamente a complexidade afetiva do trabalho psicanalítico, transformando a teoria em uma experiência vivida e verdadeiramente empática.