Ler Lacan assim, em grupo, é uma forma de deixar que o texto trabalhe em nós: cada encontro acrescenta uma dobra, uma pergunta nova, um modo diferente de ouvir o que, antes, soava apenas como ruído. Aos poucos, quase sem perceber, o analista em formação descobre que já não escuta seus pacientes do mesmo jeito: a palavra “insignificante” do paciente ganha peso de significante, um lapso se torna pista, um silêncio deixa de ser vazio para virar presença. É aí que se vê que o Grupo de Leituras não era só um compromisso de agenda, mas um dos lugares discretos em que a formação analítica realmente acontece.