Em volta da mesa, cada um chega com seu texto sublinhado, anotações na margem, dúvidas sobre palavras como “tato”, “elasticidade”, “trauma”, “mentira”, “linguagem da ternura”. Alguém lê um trecho em que Ferenczi defende que todo psicanalista deve se submeter a uma análise rigorosa – sua “segunda regra fundamental” –, outro lembra a frase em que Freud chamava suas contribuições de “puro ouro” para a psicanálise. Aos poucos, o que parecia um autor distante se revela como alguém profundamente preocupado com a formação do analista: não apenas o tripé clássico (análise, teoria, supervisão), mas a necessidade de que esse tripé esteja permeado por presença afetiva, honestidade e capacidade de “sentir com” o paciente.